Sobre as ilustrações

Quando fui chamado para compor as ilustrações deste trabalho, a primeira coisa que fiz, naturalmente, foi imaginar a Serra.

Fechei os olhos e lá estava eu, em um vasto espaço entre tons de verdes e azuis. Não havia casas, nem gente, nem trens. Erguiam-se ao meu redor porções de terra colossais com seus cumes envoltos em neblina. O barulho do vento se misturava ao das águas, assim como o cheiro do mato se confundia com o da terra. Devia estar frio, e ficamos assim: eu e a Serra, de pé, abraçados.

As atividades de lazer na Serra do Caraça abriram caminhos que ligaram sujeitos e natureza. Enquanto isso, a mineração escavou precipícios que impediram, entre muitas coisas, essas conexões. Onde os pés dos moradores exploravam a Serra para descobrir e conectar, as máquinas da mineração a exploravam para extrair e romper.

A composição visual da capa evoca essa modificação e degradação histórica causadas pela mineração no território de Catas Altas, introduzindo, desde o início, o conflito central desta pesquisa: impactos da mineração no lazer na Serra do Caraça em Catas Altas.

Nos capítulos que se seguem, acompanhamos visualmente as transformações na paisagem da Serra do Caraça — pelos sujeitos que a utilizam para o lazer e por aqueles que a exploram para a mineração — e os diversos sentimentos que essas mudanças produzem.

As ilustrações que acompanham esta monografia foram desenvolvidas utilizando a técnica da linoleogravura. Assim como as máquinas da mineração, o movimento das goivas sobre o linóleo produz ranhuras. Esses sulcos e relevos, com tinta, funcionam como carimbos. Mas é como os pés dos moradores que este conjunto de gravuras se pretendeu simbolicamente: descobrir e conectar.

Nunes Fah Nunes

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